Orelha e contracapa (O neurônio tagarela)
(Orelha e Contracapa)
Orelha
Um dos enigmas mais persistentes da história do pensamento humano, a relação mente/corpo, tem sido objeto de renovado interesse a partir dos últimos progressos realizados pelas ciências biológicas.
A fecundação artificial, a clonagem, a decifração do genoma, a terapia genética, o transplante de órgãos, entre outras inovações, são responsáveis pela instauração do diálogo interdisciplinar. Uma interlocução inédita tem reunido biólogos, filósofos, políticos, ecologistas, geneticistas, sociólogos, juristas, médicos, psicólogos e neurocientistas. Além dos especialistas, a sociedade também procura participar das difíceis decisões a serem tomadas, muitas delas verdadeiros dilemas éticos.
O referido esforço restringe-se porém à regulamentação das novas práticas e à interrogação sobre a sua incidência no dia a dia. No campo teórico, ocorre um acirramento na discussão entre os advogados do organicismo e seus adversários. As conquistas extraordinárias das neurociências favorecem, como seria de se esperar, o reducionismo biológico. O psicológico é reduzido a epifenômeno do funcionamento cerebral e não apenas no âmbito da assim chamada doença mental.
Nesse sentido, o presente livro trafega na contramão, por entender que o exame cuidadoso dos efeitos causados pelos psicofármacos leva a conclusões opostas às das teses organicistas.
A inquirição sobre a medicação psiquiátrica, as drogas e a psicosomática é acompanhada pela elaboração de uma hipótese que situa esses fenômenos no campo da psicologia. Paralelamente, são reinterpretados os dados relacionados a psicotrópicos, síndrome de abstinência, discinesia tardia, drogadição experimental em animais, tolerância, tempo de impregnação, dependência química, intervenções cirúrgicas (lobotomia e leucotomia) e sintomatologia psicosomática.
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Franklin W. Goldgrub é professor da Faculdade de Psicologia da PUC/SP e psicólogo clínico. Publicou, entre outros livros, O complexo de Édipo (1989), Freud, Marlowe & Cia (1994), A máquina do fantasma (2001), A metáfora opaca (2004) e O anti-Sionismo (2008).
Os livros e outros textos do autor podem ser acessados em http://www.franklingoldgrub.com/
Contracapa
A relativa eficácia da medicação psiquiátrica comprovaria realmente que a esquizofrenia e a mania-depressão são causadas por alterações nas taxas de neurotransmissores?
O alcoolismo, as psicoses e os “desvios de comportamento” teriam, como afirma o organicismo, origem genética?
O uso compulsivo de substâncias psicoativas decorreria de deficiências orgânicas que tornariam imprescindível o seu consumo por parte do assim chamado dependente químico?
A sintomatologia psicosomática resulta efetivamente da impossibilidade de articular emoções e representações?
Caberia aceitar que o psiquismo é determinado pelo funcionamento neuronal, como argumenta Antonio Damásio em seu livro O erro de Descartes?
O exame cuidadoso dessas teses e as supostas evidências que as apóiam pode revelar um panorama insuspeitado, muito diferente das posições defendidas pela psiquiatria biológica e por certas correntes da psicosomática.
O Neurônio Tagarela se ocupa dessas questões e as inclui no debate mais amplo acerca da relação entre o psíquico e o orgânico, também designado como “o enigma mente/corpo”.
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Franklin W. Goldgrub é professor da Faculdade de Psicologia da PUC/SP e psicólogo clínico. Publicou, entre outros livros, O complexo de Édipo (1989), Freud, Marlowe & Cia (1994), A máquina do fantasma (2001), A metáfora opaca (2004) e O anti-Sionismo (2008).
Os livros e outros textos do autor podem ser acessados no site http://www.franklingoldgrub.com/
